What do you see?

Nos últimos tempos minhas atividades culturais estiveram em baixa. Era difícil manter um bom nível de estudos no cursinho e também dedicar-me a filmes e livros. Quando eu, por cansaço, resolvia fazer alguma coisa só por gosto, invariavelmente acaba com peso na consciência.

Bem, os últimos tempos passaram e eu voltei a ter uma vida só pra mim (entenda-se: férias). Nesse comecinho de ano pós Fuvest ainda não deu tempo de fazer muita coisa, mas pelo menos deu tempo de fazer alguma coisa.

Eis as minhas algumas coisas:

Livro: O Retrato de Dorian Gray

É difícil explicar o que achei. Um livro bom, mas com um quê de dramático que poderia ser diferente. O Doryan é um grande saco de bode, muito chato e cheio daquelas frescurinhas dramáticas nas quais eu não costumo ver muita graça. Entretanto, isso de alguma frma se encaixa no contexto, chega a fazer sentido quando certas coisas acontecem no livro. Eu diria que o melhor são as maravilhosamente detalhadas descrições do narrador, os momentos de clímax em relação ao quadro e o Lord Henry, uma personagem muito legal.

Como o livro é focado mais em diálogos, toda a graça do Lord está nas coisas que ele fala. Outras personagens também falam bem aqui ou ali, mas essa se supera!

Ainda não cheguei ao fim, mas digo que é um livro que jamais desencorajaria alguém a ler. Não está, entretanto, na minha lista de preferidos ou principais recomendados. Isso porque eu preferiria que tivesse sido conduzido de outro modo. Talvez uma degradação mais lenta e psicológica da personagem principal tornasse o livro recheado de genialidade. Mas os acontecimentos foram bruscos e Wilde perdeu uma boa oportunidade quando passava o tempo falando de supérfulos que agradavam Doryan. É uma ótima leitura para quem gosta de pensamentos ácidos e se entende bem sentimentalismos um pouco radicais.

Seguem algumas citações bacanas do livro:

“Use a capacidade que tens. A floresta ficaria silenciosa se só o melhor pássaro cantasse.”

“Oh! Os irmãos! Não ligo para os irmãos. Meu irmão mais velho teima em não morrer, e os mais novos dão a impressão de querer imitá-lo.”

“O único meio de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela”

“As mulheres vulgares nunca excitam nossa imaginação. Estão limitadas ao seu século. Não há magia que possa transformá-las. Pode-se conhecer a sua mente como se conhecem os seus chapéus. Podemos encontrá-las sempre. Não há mistério em nenhuma delas”.

“Você gosta de todo mundo, portanto, é indiferente a todos.”

Não consegui (claro) caçar todas as melhores pelo livro, mas fica aí um pouco do que encontrei. Enfim, um livro com passagens que me desagradam e outras que me agradam. Com certeza não se pode dizer que é mediano em alguma coisa. Além do mais, tem bons trechos que renderiam discussões interessantes.

Filme: Memórias de uma Gueixa

Um filme capaz de entreter por quase todo o tempo, mas confesso que esperava um pouco mais. Toda aquela pompa com as seis indicações ao Oscar não significou muita coisa no fim das contas.

Pode-se dizer que é um drama, digamos, exageradamente dramático. A história conta a vida de uma menina que perdeu a família e foi comprada para virar uma gueixa. Tem tudo que um bom melodrama deve ter: perdas, amor platônico que fica na corda bamba até o fim do filme, menina má que persegue a protagonista, tias malvadas que são rigorosas demais com ela, um protetor, superação pessoal, etc.

Li críticas que chamaram o filme de “Maria do bairro Oriental”. Com certeza um tanto exagerado, mas não sem seu fundo de verdade. A trama principal em si é bem manjada, com certeza, mas há uma parte divertida que é a expressão da cultura oriental com tradições desumanas com um quê de curiosas.

Enfim, acho que é o tipo de filme bem médio, que não faz mal mas também não vai deixar ninguém de boca aberta.

Série: Dexter

Acabei de ver a segunda temporada no começo desse ano. Simplesmente fantástico. Acho que é a melhor série que vi nos últimos tempos. Os 12 capítulos foram todos muito bem feitos, desde o roteiro até a execução. Dexter é perfeito como protagonista e seus problemas pessoais (que incluem o fato de ele ser um especialista forense da polícia e, nas horas vagas, um Serial Killer perseguidor de bandidos) são muito interessantes.

Com certeza recomendo! Assistam ambas as temporadas que, acredito eu, não vão se arrepender.

Série: Roma

Comecei a reassistir a primeira temporada desse seriado da HBO. Com certeza muito bom. A caracterização de época é fantástica, o enredo, os atores, acho que há poucos defeitos para se apontar aí.

A não ser, talvez, pela própria HBO que pode apontar um defeitinho interessante: a série foi caríssima e deu um prejuízo de milhões de dólares para o canal. Em entrevista na veja, porém, um produtor disse que valeu a pena. Bem, valeu mesmo: podem conferir!

6 respostas a What do you see?

  1. Isabel diz:

    Eu não vou ter férias =X

  2. toutemavie diz:

    Não vi/li nenhum! :X

  3. Fëanor diz:

    Eu preciso ler O Retrato de Doria Gray urgentemente!

  4. toutemavie diz:

    Eu tbm :X

  5. Snaga diz:

    E minhas férias tão acabando… =/
    Cara, eu não li ainda O Retrato, mas queria muito ler! Ainda mais depois dessas citações. Só não entendi a que fala de mulheres vulgares…

    E eu nunca tive curiosidade de assistir Memórias de uma Gueixa. Ainda mais agora que você disse que já chamaram ela de Maria do Bairro! LOL

    Bom… como é muito provável que eu jamais assista as séries, nem li!

  6. Manyukeh diz:

    Rome e Dexter… ambos deliciosos..
    Viva Lucius Vorenus!
    bjs
    Many

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