Always look on the bright side of life

Dizem que não se deve julgar um livro pela capa. Eu digo que quem diz isso provavelmente não conhece a edição de O Silmarillion ilustrada por Ted Nasmith, mas tudo bem, não é sobre isso que eu pretendo falar.

Título. Esse sim é o assunto. Eu considero que não há tarefa mais ingrata do que dar a um texto um título. Mesmo quando o conteúdo é bom, e inexistem defeitos, o livro ainda não está terminado. Falta começá-lo, na verdade. Falta aquela coisa que a professora manda colocar por último, mas que o leitor verá por primeiro.

Não há texto sem título. Pelo menos não um digno dos grandes escultores de papel. Há, sim, aqueles que de tão invaliosos nem precisam de um bom ponto de partida, começam na mediocridade e acabam no esquecimento. Mas também não é destes que eu pretendo falar.

Refiro-me àqueles grandes livros. Os que você fecha com uma lágrima nos olhos e fica mais meia hora parado na cama (sofá, poltrona, rede?) somente a pensar em como aquele tufo de papel acaba de transformar para sempre a sua vida.

Sim, livros nos mudam. Ou melhor: nos moldam. Eles transformam o que éramos no que seremos. Dão-nos as noções, os valores, as idéias que serão estudadas e maturadas a fim de conceber o nosso própio modo de pensar. A cada página que se lê, uma nova linha é escrita nas profundezas escuras de nossa inconsciente cultura.

Mas, veja! Já me desviei do assunto. Queria falar daqueles livros, os que se fecha com pesar. Mas não pretendia discorrer sobre o fim. Nem mesmo sobre o meio ou o início. Pensei naquele momento antes mesmo do início. A pré-história da história escrita. O momento em que vemos um pedaço de papel e, nele, uma frase.

Digo que quero atentar para a frase não porque ela seja totalmente relevante no enredo da obra, mas sim porque ela é totalmente relevante no apaixonar-se por um livro. Como é genial aquele que consegue expressar com exatidão numa única sentença tudo o que tentou dizer em centenas de páginas escritas!

Lembre-se de um livro e lembrará de um título. Lembre-se do título e lembrará de uma idéia. Entenda a idéia e um autor terá cumprido seu papel.

Na verdade, não raras vezes o título é ainda melhor que a obra em si. Ele é mais expressivo do que todo o resto. Isto, para mim, é decepção. O sentimento de encontrar no chão uma carteira vazia: pura esperança vã.

Malditos sejam os trogloditas capazes de criar bons títulos, mas inábeis no decorrer da obra! Eles deveriam trabalhar para os outros. Para aqueles pequenos autores, com boas histórias que nascem para nunca serem chamadas de nada que valha a pena pronunciar.

Oras, eu poderia passar linhas e mais linhas discorrendo sobre como cativa-me uma bela sentença inicial. Também poderia contar alguns dos meus títulos favoritos nos livros, cinema e na música (Seis Personagens à Procura de um Autor, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, etc.). Mas acho melhor parar por aqui. Prefiro dar oportunidade para que suas própias lembranças saltem gritando aos ouvidos aquele inesquecível princípio de fantasia.

Concluo, porém, voltando ao início para colocar no topo deste texto um nome que me trouxeram minhas própias lembranças.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: