Onde está o Assunto?

Como as formigas e as baratas, o assunto só dá as caras quando quer, ele aparece sorrateiramente, inspira, cria e some. Depois que sai, dá aquela impressão de que nunca mais irá voltar. Mas volta. Você sempre acaba encontrando uma barata, assim como sempre irá encontrar o Assunto.

Claro, ele não vem na hora em que é necessário, o Assunto geralmente aparece naquele dia escuro e chuvoso, quando sentado numa cadeira de balanço, você repousa olhando pro nada. Então, é aquele esbugalhar dos olhos e a postura fica ereta, levanta-se de leve da cadeira e sente que Ele está lá, em cada parte da sua cabeça, se reproduzindo.

Tem gente que se levanta, corre, apanha um pedaço de papel e ainda consegue escrever uma ou duas palavras antes de Ele ir – depois disse tem que continuar o texto com a própia capacidade. É dessas brincadeiras do Assunto que nascem os livros ruins. Mas a maior parte das pessoas acaba caindo de volta na cadeira e tomando café enquanto Ele vai embora.

Certo dia você sai para andar na rua, se desvia do populacho por um beco escuro e acaba chutando um pedaço de tábua caída: pronto, centenas deles correndo para todos os lados, desnorteados pelo sol fraco que agora toma o lugar de seu esconderijo. Alguns sobem pelas suas pernas e alcançam seu abdômen e fazem cócegas nos seus braços e atacam seu pescoço e chegam à cabeça e entram pelas suas orelhas e já era: não há mais tempo para reagir.

Assunto demais para um homem só. Você cai e milhares de idéias – boas ou ruins – passam como relâmpagos pelo seu cérebro, mas não é possível se aproveitar delas, já que são elas que estão aproveitando-se de você. Casando-se, reproduzindo-se, e fugindo, deixando seu cérebro vazio como o de um Big Brother.

Ao chegar em casa, a esposa pergunta aonde esteve, mas não há como responder. Em todos os dicionários do mundo não existem palavras o suficiente para descrever cem milhões de idéias correndo pela sua cabeçorra. Não há palavras para descrever o assunto que flui como uma torneira aberta, indo embora sem deixar vestígio algum no seu cérebro.

Mas nem para todos O Assunto é frio e impiedoso, certas vezes um casal destes sobe bem devagar pela parede até o lugar aonde está descansando sua cabeça – o ataque é rápido e eles se infiltra no cérebro, gerando uma grande, clara e boa idéia. O abençoado ser que recebeu esse privilégio só precisa sentar e dar asas aos pombinhos, que vão se reproduzir e gerar mais e mais idéias, de maneira ordenada e clara, sendo, então, a origem de um bom livro e das granes histórias da humanidade.

Antes de Eles irem embora é só pegar uma caneta, um pedaço de papel e consagrar seu nome da história dos homens. Alguns atribuem isso ao Talento, outros chamam-no de Inspiração, pois poucos sabem da existência do Assunto, pois o Assunto não se revela, ele se esconde, espreita, espera.

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