Que que ta havendo?

Junho 2, 2008

Algumas vezes a gente fica pensando sobre o que os outros estão pensando. Mais interessante ainda é pensar sobre o que os outros estão pensando acerca do que nós estamos pensando.

Pois sim, queria saber o que todo mundo pensa quando eu morro de rir sozinho no laboratório de informática. Toda esse gente séria, fazendo trabalhos sérios e me olhando de esguelha com uma cara estranha enquanto eu passeio pelos blogs mais bem escritos da internet.

Querem saber o que eu penso nessa hora? Que se foda. É, estamos aí. De volta. Pelo menos enquanto a censura permitir…

 

Em tempo:

Download Day 2008
 


Óbito do Autor

Maio 18, 2008

Se o Machadão estivesse zanzando aqui por essas bandas, poderia olhar pro meu blog e dizer: “Há! Eis mais um que me copia”. Mas, sei lá, talvez o autor não tenha morrido, talvez ele esteja em outro lugar, bem longe de uma banda larga, talvez ele esteja morrendo mesmo por vontade de voltar. Ou talvez não.


Se eu fosse…

Fevereiro 7, 2008

O meme bloguístico sobre literatura já passou por vários lugares. Agora, minha vez:

 Se eu fosse…

… um livro, seria: O Guia do Mochileiro dos Galáxias (Douglas Adams).


… um herói, seria: Don Vito Corleone, O Chefão (Mário Puzo). Herói da italianada porque conseguia fazer o que tinha que ser feito na hora que tinha que ser feito, sem perder a cabeça. Eu ainda chego lá.


 … um vilão, seria: Melkor, O Silmarillion (JRR Tolkien): pois eu tentaria plantar minha vilania em outros, como forma de perpetuá-la.


… uma personagem secundária, seria: Benjamim, A Revolução dos Bichos (George Orwell). Gosto de como ele ficou na dele, cético, sem ser enganado.


… um espaço, seria: Provavelmente a Europa medieval.


… um narrador, seria: O narrador de O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams)


… um gênero, seria: Ficção, mais pro lado da fantasia.


… um tempo, seria: Tempo de discurso, aquele que depende do narrador. Seria mais cronológico, só que com algumas omissões e pausas. (Considerando essas classificações de tempo)


… uma frase de um livro, seria: “Incredible… it’s even worse than I thought it would be” (do Marvin, no Guia)


… um escritor, seria: Gosto do estilo de Umberto Eco, que não se esconde nem se exibe. É engajado, participa da mídia, mantém projetos acadêmicos e não sofre de estrelismo.


… uma escola literária, seria: Modernismo (lá pra segunda e terceira fases)


… uma capa de livro, seria: Uma do Saramago, editora Companhia das Letras (fodonas, mas sem firulas)

Enfim, retirei alguns itens que não sabia como responder, aí está o resultado final.

Pelo visto eu tenho que indicar três pessoas pra seguir a corrente. Vai pro Snaga, pro Asca e pra Isabel então. =]


Keep Watching

Janeiro 31, 2008

Férias são boas porque há tempo suficiente pra se fazer todas as coisas que se tem vontade sem, contudo, o contratempo de fazer as coisas de que não se tem vontade. É como comer uma tonelada de leite condensado com Nescau sem nunca engordar.

Em suma: livros, séries e filmes adoidado. Sem aula, nem trabalho, nem nada mais.

Livro: Radical Rebelde Revolucionário, Crônicas Cubanas – Alex Castro

Capa do livroTaí um livro interessante. O autor, blogueiro famoso, foi passar uma temporada em Cuba, fazendo alguns estudos para sua faculdade de Nova Órleans (nos States). Aproveitou para conhecer bem o lugar, bater um papo com cada alma viva de lá e tirar algumas fotos.

Ao voltar, reuniu suas impressões e experiências nesse e-book (que pode ser adquirido aqui, por R$20,00). O tchan da coisa é que ele não fez um estudo social, focado na verdade confirmada e comprovada. Ao contrário, o livro todo se trata de suas impressões e daquilo que os cubanos disseram ser verdade.

Não importa se é realmente assim, se há exceções, se ele errou. O que importa é que alguém esteve em Cuba e viu as coisas dessa maneira. Mais que isso: um ou mais cubanos que o apresentaram a cada aspecto local queriam que ele visse as coisas dessa maneira.

Tratados, estudos e teses sobre Cuba, a Revolução e a situação do povo tem de sobra. Até professor meu da escola fazia tese sobre Cuba. O que raramente vemos é como os própios cubanos enxergam seu país, sua história, sua cultura. Como se vive, na pele? O que deu certo e o que deu errado na Revolução? Como é a censura e a repressão?

É por responder perguntas como essas que o livro de Alex Castro vale a pena.

Filme: O Ilusionista

Esse filme conta a história de um mágico que se envolve em tramas das mais cabeludas pra conseguir viver em paz com aPôster amada de infância. O problema que separa os dois é o fato de ela ser uma aristocrata prestes a se casar com o príncipe e ele,  um bostinha.

A história meio manjada deveria ser revertida pelas mágicas mirabolantes e pela trama que vai se desenrolando em algo inimaginável. Não dá muito certo.

As mágicas são forçadas e irreais, só isso faz perder um terço da graça. O andar da carruagem, todo cheio de suspense é de fato interessante e tem curvas inesperadas, mas também não é genial e chega e ser forçado.

Um filme fraco, mas aceitável. Daquele tipo que não se precisa alugar, nem mudar o canal quando tiver passando na TV.

Filme: O Grande Truque

Por algum motivo inesperado o Universo conspirou para que eu assistisse dois filmes de mágicos em seguida. Esse segundo, porém, é bem superior ao primeiro.

PôsterAqui dois mágicos que viram inimigos logo quando novinhos passam a competir, se enfrentar, se sabotar. Inicialmente, ambos vivem simplesmente a querer superar o outro. Começam, então, a se sacanear. Acabam passando dos limites.

Num determinado momento, um deles surge com um truque magnífico e o outro tem que imitar para não ficar pra trás. Ah, tem muito mais que eu não vou contar pra não estragar o espetáculo.

Há um tom de suspense que deixa uma interrogação na cabeça do espectador desde o início. Vale alertar que é uma trama complexa, que não ocorre em ordem cronológica e ainda é cheia de gente querendo se disfarçar. Então, é melhor ficar atento ou você perde o fio da meada.

Série: Monk

Famosa e já na sua sexta temporada, essa série rende risadas em cada episódio, além de ser divertido acompanhar as investigações. É leve, com episódios quase totalmente independentes e um humor muito foda!

As manias do Monk, somadas ao seu grande intelecto e aos casos mais bizarros dá a essa atração um tom que nenhuma outra do gênero tem. Adoro.

Outros

Também assisti “Diamante de Sangue”, “À Procura da Felicidade” e li o último “Harry Potter”. Esses três, porém, são um tanto quando conhecidos e falados demais para eu ter qualquer coisa a acrescentar.


Porque não praticar boas ações

Janeiro 29, 2008

Tem coisas na vida que eu já deveria ter aprendido. Eu deveria saber que toda pipoca é ruim, independente daquele cheiro delicioso. Não adianta experimentar de novo, vai ser sempre ruim.

Deveria saber que praga de mãe sempre pega. Se ela disse que vai chover, pode levar um guarda chuva porque vai chover, mesmo que o dia esteja quente e seco ou que você more no meio do Saara.

Ah, mas tem coisas que eu deveria saber com maior intensidade. Por exemplo? Boas ações não valem a pena. Nunca. As boas ações te fodem, te jogam na sarjeta e te passam piolho. Elas são más, diabólicas, gastam a vida espreitando em busca de uma vítima desavisada que possa cair em seus golpezinhos baixos.

Eu estava já há algum tempo em meu bom caminho de tocar a vida sossegado quando, de repente, fui pego em uma arapuca. Doe sangue, Doe vida, eles disseram. E eu acreditei, tolinho.

Tudo começou aos dezessete anos. Essa é a idade em que você traça seus planos para o ano seguinte, quando uma enorme gama de possibilidades se abre com o advento da maioridade. Tem que ir no boteco e comprar uma cerveja, mesmo que você não vá beber, mesmo que você já tenha comprado outras - será sua primeira dentro do seio da legalidade.

E eu, deslumbrado com essas bobagens, resolvi que iria doar sangue. De fato quando eu entrei na maioridade, a coisa perdeu importância e foi esquecida. Hoje, porém, brotou aquele espírito carnavalesco (“Vou ajudar um bêbado acidentado”) e aceitei o convite de um amigo pra ir ao Hemocentro.

Chegando lá, já foi um enguiço pra achar onde fica o lugar. Logo quando chegamos na UNESP havia uma plaquinha dizendo “Hemocentro” com uma seta pro lado. Fácil, pensamos. Há! Vai prum lado e nada. Vai pro outro e nada. Sobe uma passagem mal feita que desemboca nos ambulatórios.

Nesse ponto a coisa começou a ficar desagradável. Eu odeio hospitais porque são cheios de gente doente e, especialmente, cheio de gente contagiosa. Ok, é neurose, mas eu sou assim e pronto. Passamos por filas e filas de pessoas que esperavam atendimento nas mais diversas áreas. Eu podia ver as infecções pulando dos doentes e correndo em minha direção. Aí vai um cara saudável, corre, pega!

Mas vá bem, sobrevivi. Entramos no hospital propriamente dito e – finalmente- achamos o tal do hemocentro. Descobri, pelas placas, que eles só trabalham até 16h30min. Eram 16h10min. Lá, todo mundo era feliz e sorridente, amável e receptivo. Já fiquei com um pé atrás! Por que raios um bando de trabalhadores poderia estar todo serelepe com uma besta que chega para tirar sangue faltando vinte minutos pro fim do expediente? Uma vítima, eles pensavam. Só podia ser isso.

A triagem da vítima (leia-se: eu) foi bem rápida: documentos, perguntinhas e picada no dedo pro exame preliminar. A partir daí fui separado do meu amigo, afinal, a caça fácil é a que anda sozinha. Fui encaminhado então para quem iria avaliar se estou saudável o suficiente para ser devorado vivo para doar sangue. A tal da mulher me perguntou se tive todas as doenças que possam existir no dicionário. Pelo menos foi fácil de responder:

Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Mas hein?! Ah, isso também não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não. Não.

Depois das perguntas era compulsório tomar um suquinho ou comer umas bolachinhas. Lembrou-me da história de João e Maria, sendo engordados pela bruxa. Bem, eu já estou em ponto de abate, então foi dispensada a jaula e tomei só um suco daqueles de sabor artificial.

Tentei enrolar nessa parte para que meu colega fosse entrevistado e pudesse se juntar a mim, mas mal havia terminado o suco e uma enfermeira chamou meu nome. Ela também estava sorridente, mas já com um olhar maligno bem aparente.

Entrei na sala e me dirigi a um homem de jaleco. Ele grunhiu. Olhei em volta para ver se só eu havia reparado que o enfermeiro estava grunhindo e realmente ninguém mais parecia se importar. Ele apertou meus braços e grunhiu de novo. Depois mais uma vez. Foi nesse ponto que me dei conta de que ele deveria estar realmente grunhindo para mim, como numa primitiva forma de comunicação ininteligível. Com algum esforço e ajuda da mímica, entendi que ele me mandava lavar o braço.

Fui até a pia e lavei meu braço direito com água e sabão vagabundo. Depois puxei o papel descartável, mas saiu muito pouco pra eu secar o braço inteiro. Puxei mais forte e caíram umas duas dúzias de folhas. Disfarcei, sequei meu braço e joguei fora o excedente de papel.

Sentei na cadeira e comecei a ser examinado. O moço prendeu uma cordinha de borracha no meu braço e começou a apalpar na altura do cotovelo, mas no lado oposto. Fuçou aqui e ali, mas não pareceu satisfeito. Foi para o outro braço e repetiu o processo. Parecendo aborrecido, voltou ao braço direito, fuçou mais um pouco e grunhiu.

Após grunhir, saiu de perto de mim e outro enfermeiro se aproximou. Esse até falava de verdade. Nessa hora eu já estava com o cu piscando, pois com certeza essa indecisão toda não podia ser coisa boa. O novo enfermeiro apalpou também, mas não consegui achar a maldita veia. Mesmo assim, resolveu tentar a sorte.

Pára a cena e vamos fazer uma reflexão: tentar a sorte no braço dos outros é moleza. Até eu faço isso! Mete-se uma agulha no infeliz e fica rodando ela até sair sangue. Infalível. Ou quase.

Pois bem, ele chegou com a tal agulha, que mais parecia uma canaleta de telhado, tão grossa que era. Enfiou a bendita no meu braço e começou a fazer movimentos com ela lá dentro. Ficava rodando a agulha, pincelando, apertando. A cena me lembrou de uma cirurgia da lipoaspiração. Dava pra ver a agulha se mexendo dentro do meu braço, levantando a pele, rodopiando. O resultado? Nada. Nem uma gota de sangue.

Eis que no meio da tortura o carrasco se apieda e pergunta:

-Tudo bem?

-Olha, tirando esse cano que você ta enfiando no meu braço e se divertindo com ele lá dentro, tudo ótimo, seu filhodeumaputamalcomida!

-Tudo sim, respondi.

E não pensem que ele se deu por satisfeito. Continuou brincando com a agulha, tentando perfurar uma veia a esmo até o braço cansar (o dele, pois o meu já estava farto há muito tempo).

Depois de tudo isso ele arrancou a agulha e disse “É, não vai dar”. Não vai dar! Eu faço uma viagem até a Unesp, ando na chuva, sou picado, entrevistado, medido, perfurado, torturado e o cara diz um Não Deu, como seu fosse a coisa mais bonitinha do mundo.

Depois ele perguntou se eu estava passando mal por causa da dor. Respondi que não. Ele deitou a cadeira, sem ouvir a resposta e me mandou descansar. Pura tática de guerra. Deitado ali eu fui capaz de ver o mesmo enfermeiro repetindo o procedimento em meu amigo para obter praticamente o mesmo resultado.

Quando alguém teve a boa vontade de levantar a maldita cadeira, nós dois fomos despachados sem dó. Saíram correndinho logo depois da gente, desligaram a TV da sala de espera, recolheram as comidinhas e foram embora. Ficamos nós dois lá, com cara de bobos, chutados depois da tortura.

Para compensar, passamos em um café e tomamos um expresso. Enquanto bebia, cuidei de memorizar as três lições do dia:

1) Jamais praticar uma boa ação propositalmente

2) Jamais tentar ser atendido no fim do expediente

3) Quando a coisa começar a feder, CORRA antes que te peguem! Se botarem a mão em você, não tem mais volta.

No final, perdi um dia e ganhei um braço dolorido. Azar dos motoristas embriagados de carnaval. Pelo menos eu não peguei piolho.