A maldição com asas

Janeiro 8, 2006

Uma das grandes vantagens de ser Deus é que Ele tem sempre alguma coisa para fazer. Ao se ver entediado, pode brincar mandando um terremotozinho aqui, um furacão ali, um filho veado praquele cara feioso e assim passar os longos séculos de sua eterna existência.

Certo dia, muitos e muitos séculos no passado, o Todo Poderoso cansou de jogar suas pragas habituais nas cidades pagãs e resolveu se atarefar com novos afazeres. Pegou um pedaço de pergaminho, uma caneta Bic e usou toda a sua imaginação para criar a pior praga de todas – a que jamais deixaria os homens descansarem e que atormentaria cada ser vivo na face da Terra.

Dessa vez Ele nem precisou de sete dias, em três ou quatro já havia terminado os esboços e no quinto dia fez o desenho final de sua obra mais maligna. Claro, as funções de cada Ser estavam bem claras em sua cabeça, e ele sabia que na posição de Deus deveria propagar o bem, a alegria e as balinhas de Caramelo, então guardou sua invenção numa gaveta e lá se esqueceu dela.

Passados alguns anos Ele resolveu que iria trazer um gigantesco terremoto para os infiéis da China. Calculou tudo meticulosamente e mandou a desgraça aos olhos puxados. Infelizmente o Senhor estava péssimo de matemática e errou a altura do seu terremoto, criando um resultado que não poderia ser mais catastrófico: todo o céu tremeu, derrubando anjos, arcanjos, santos, e uma grande escrivaninha de Carvalho, que esburacou o chão ao cair e liberou no mundo muitos dos desenhos secretos Dele.

Deus, porém, não se preocupou com a escrivaninha – pelo menos não naquela hora – ele tinha um problema muito maior na cabeça: centenas de milhares de seus anjinhos pelados estavam agora na Terra, desamparados e assuntados. Mas a pior parte não era essa: o custo para trazer todo mundo de volta era elevadíssimo e o céu não tinha tanta verba para tal feito. Foi assim que nasceram os Anjos da Guarda.

Já o Diabo, que nunca foi bobo, saiu do calor nordestino de seus aposentos e se apressou a recolher os desenhos do Senhor. A maioria deles eram apenas mulheres nuas, protótipos de Arpas e havia alguns catálogos de tapetes também, mas um desenho valeu a pena, um deles era mais do que o própio Diabo podia pensar.

De volta ao mármore do Inferno, o Coisa-Ruim estudou detalhadamente o desenho: era uma máquina de guerra potentíssima, que voava, espetava com suas garras, arrancava pele com sua afiada boca, liberava ácido úrico e guano no inimigo e ainda podia atormentar a todos com sua maligna voz.

Claro que o Vermelhinho não perdeu seu tempo: durante os seis meses que se seguiram Ele se empenhou em construir e dar a vida a essa criatura odiosa. Ao concluir sua obra, abriu os portões do inferno, formando uma grande cratera (que hoje é conhecida como Grand Canyon) e liberando a ruína da humanidade.

Em pouco menos de um ano, sua criatura reproduzira-se a ponto de conseguir um exército suficientemente grande para atacar os homens e a partir de então nenhum povo jamais teve paz absoluta. As criaturas do Diabo, ou pássaros, como foram chamadas pelos homens, passaram a atacar cada cidadão terráqueo, mordendo-lhes, arranhando-lhes e defecando em suas cabeças.

Só então que Deus acordou. Ele arquivou de vez seu projeto de um terremoto na China e tratou de cuidar do problema que causara. Convocou os santos e os arcanjos para capturar suas invenções aladas, mas eles não deram conta do recado e muitas ainda ficaram livres.

Numa decisão desesperada, Deus enfeitiçou todos os penosos e, assim, fez com que eles parassem de atacar os homens. Claro, a magia Dele não funciona em todos os casos, mas o problema foi drasticamente diminuído.

Mesmo hoje em dia os mais atentos podem perceber que os aparentemente inofensivos pássaros são, na verdade, criaturas más e demoníacas. Esse tipo de sensibilidade infelizmente é pouco respeitada, já que os homens não dão mais tanto valor ao poder do Senhor, pois este cansou de jogar pragas indiscriminadamente nos homens depois que seu filho caiu pelo buraco que a escrivaninha fez no chão e resolveu bancar o herói na Terra.

Obviamente o Diabo não se aquietou em ver sua grande criação seriamente danificada e passou a trabalhar duro numa nova perdição para os Homens. Durante longos anos desenhou, riscou, apagou, construiu e reconstruiu aquilo que seria o aprimoramento da invenção divina. A nova versão deveria ficar menor, ser sanguessuga e menos aparente, mais demoníaca quanto ao barulho e com a mesma vantagem alada que a antiga. Foi assim que nasceram os Pernilongos.


Onde está o Assunto?

Janeiro 6, 2006

Como as formigas e as baratas, o assunto só dá as caras quando quer, ele aparece sorrateiramente, inspira, cria e some. Depois que sai, dá aquela impressão de que nunca mais irá voltar. Mas volta. Você sempre acaba encontrando uma barata, assim como sempre irá encontrar o Assunto.

Claro, ele não vem na hora em que é necessário, o Assunto geralmente aparece naquele dia escuro e chuvoso, quando sentado numa cadeira de balanço, você repousa olhando pro nada. Então, é aquele esbugalhar dos olhos e a postura fica ereta, levanta-se de leve da cadeira e sente que Ele está lá, em cada parte da sua cabeça, se reproduzindo.

Tem gente que se levanta, corre, apanha um pedaço de papel e ainda consegue escrever uma ou duas palavras antes de Ele ir – depois disse tem que continuar o texto com a própia capacidade. É dessas brincadeiras do Assunto que nascem os livros ruins. Mas a maior parte das pessoas acaba caindo de volta na cadeira e tomando café enquanto Ele vai embora.

Certo dia você sai para andar na rua, se desvia do populacho por um beco escuro e acaba chutando um pedaço de tábua caída: pronto, centenas deles correndo para todos os lados, desnorteados pelo sol fraco que agora toma o lugar de seu esconderijo. Alguns sobem pelas suas pernas e alcançam seu abdômen e fazem cócegas nos seus braços e atacam seu pescoço e chegam à cabeça e entram pelas suas orelhas e já era: não há mais tempo para reagir.

Assunto demais para um homem só. Você cai e milhares de idéias – boas ou ruins – passam como relâmpagos pelo seu cérebro, mas não é possível se aproveitar delas, já que são elas que estão aproveitando-se de você. Casando-se, reproduzindo-se, e fugindo, deixando seu cérebro vazio como o de um Big Brother.

Ao chegar em casa, a esposa pergunta aonde esteve, mas não há como responder. Em todos os dicionários do mundo não existem palavras o suficiente para descrever cem milhões de idéias correndo pela sua cabeçorra. Não há palavras para descrever o assunto que flui como uma torneira aberta, indo embora sem deixar vestígio algum no seu cérebro.

Mas nem para todos O Assunto é frio e impiedoso, certas vezes um casal destes sobe bem devagar pela parede até o lugar aonde está descansando sua cabeça – o ataque é rápido e eles se infiltra no cérebro, gerando uma grande, clara e boa idéia. O abençoado ser que recebeu esse privilégio só precisa sentar e dar asas aos pombinhos, que vão se reproduzir e gerar mais e mais idéias, de maneira ordenada e clara, sendo, então, a origem de um bom livro e das granes histórias da humanidade.

Antes de Eles irem embora é só pegar uma caneta, um pedaço de papel e consagrar seu nome da história dos homens. Alguns atribuem isso ao Talento, outros chamam-no de Inspiração, pois poucos sabem da existência do Assunto, pois o Assunto não se revela, ele se esconde, espreita, espera.


O primeiro post do ano

Janeiro 3, 2006

O primeiro post do ano sempre tem significado especial. Eu não sei dizer por que, mas tem. Na verdade, o primeiro dia, mês e as ações pioneiras têm certa aparência mística. Não que tudo isso seja diferente do que nós faremos no decorrer do recém iniciado período, ou do que fizemos no que passou, mas sempre há aquela esperança de que as coisas serão melhores no futuro.

Para mim, Ano Novo significa mudança. Por mais que raramente algo grande tenha acontecido, eu preciso de uma boa dose e esperança pra poder continuar, eu simplesmente não consigo recomeçar as atividades comuns à vida sem um incentivo, um empurrãozinho. Acho que, de certa maneira, todo mundo necessita de um descanso, seguido de incentivo e uma bela injeção de vontade, se não for assim o mundo para.

Pois bem, neste primeiro de janeiro a coisa não foi muito diferente, já que continuei fazendo as listas de promessas de ano novo, mas desta vez foi mais realista, com menos sonhos e mais objetivos, assim tornar-se-á possível cumprir todos os itens da lista. Vejam, então, a minha perspectiva geral e pessoal para o ano de dois mil e seis:

Eu, definitivamente, vou emagrecer. Sei que tento fazer isso todo ano, mas só no fim deste terei a viagem para Porto Seguro e, por isso, tenho que estar mui esbelto para poder aproveitar bem tudo por lá. Ta certo que eu não sou mais tão obeso quanto era quando criança, mas ainda não estou no ponto. Só se for no ponto de um churrasco com aquela capinha de gordura ¬¬

Aliás, Porto seguro vai ser A Viagem. Todos os amigos numa semana de festas, muito agito, com toda certeza será inesquecível. A expectativa para essa semana é grande, no que depender de mim, serão os melhores sete dias de minha vida.

Infelizmente nem tudo são flores nos meus projetos. O fim do Terceirão vai vir seguido do vestibular e, consequentemente, precedido de muito, muito, mas muito estudo. O certo seria estudar todo dia, pra não acumular matéria e, assim, chegar seguro no fim do ano. Claro que eu não vou fazer isso, pois eu não tenho tamanha força de vontade, mas vou tentar manter os estudos em dia, pelo menos. Desta maneira creio que posso cumprir meu outro objetivo: passar no vestibular.

Ok, eu ainda não sei o que quero da vida, mas com certeza quero alguma coisa e vou me esforçar ao máximo para conseguir entrar na faculdade esse ano. Aliás, taí outro objetivo: decidir o que eu quero fazer da vida.

Mas chega de papo furado sobre minha vida adolescente, vamos passar para minhas previsões de Bag-Diná acerca do mundo e seus caminhos futuros.

Em primeiro lugar, o Lula vai perder as eleições. Tem que perder. O Brasil não pode continuar a ser governado por um acéfalo incompetente como é o atual líder da nação. Basta de toda essa corrupção e hipocrisia PTista, eu torço para que o Alckmin ganhe as eleições. Mas, em todo caso, votaria no Serra também. Tucanos na Veia!

Ah, e eu vejo aqui na minha bola de cristal que o Terrorismo vai continuar. E também vão continuar a ocupação no Iraque e os seqüestros e tudo mais que envolva esse pessoal sedento por guerra. A guerra nunca acaba, infelizmente essa é uma realidade triste, mas crônica.

Enfim, eu não acho que vai haver uma grande melhora no mundo esse ano, nem ao menos na minha vida. Mas também não vejo a possibilidade de as coisas piorarem muito. Quem sabe não é possível levar o ano de maneira leve, sem grandes problemas?