-Era uma vez…
-Por que toda história começa com era uma vez?
-Hein?
-É, “era uma vez pra lá”, “era uma vez pra cá”, eita povo sem criatividade!
-Eu estou tentando contar uma história aqui!
-Sério? Qual?
-CALABOCA E DEIXA EU CONTINUAR!!!
-…
-Então, como eu ia dizendo: “Era uma vez…
-Você já falou isso, pai.
-Eu sei que já!
-Então por que repete?
-Eu estou recomeçando, oras!
-Recomeçando por que, se você não terminou?
-QUIETO!
-Desculpa, desculpa, continua
-”Era uma vez…
-DE NOVO?!?!?!
-Sim, você não me deixa continuar!
-Eu?!?
-Não, o Bispo.
-Que Bispo?
-O “calaboca” ainda está valendo.
-Ta, ta
-Então…
-Ah vai…
-Vai o quê?
-Nada não
-Continuando: Era uma vez…
-Viu.
-Viu o quê?
-Foi.
-AH, MAS VÁ CATAR COQUINHO NA DESCIDA!
-Mas tá de noite, pai.
-Ahn… Ah… Esquece, vai.
-Esqueço.
-Vamos fazer uma brincadeira?
-Oba, qual?
-Você cala a boca e eu não te dou um murro.
-Calei, calei…
-Era uma vez uma princesa…
-Ah, essa história eu já conheço.
-Já?
-Aham, no fim o príncipe mata o dragão e casa com a princesa, não é?
-É, e daí?
-Não dá pra dormir com história repetida, pai.
-Claro que dá: vira pro lado, fecha o olho e me deixa contar essa história logo que eu estou com sono.
-Ta bom.
-Ta?
-Ta
-Er… Então, Era uma vez uma princesa que se chamava…
-Zzzzzzzz
-Hei, acorda!
-Ahn, hein? Como?
-Você dormiu.
-Mas você está contando a história pra eu dormir pai.
-Mas eu não vou contar uma história pras paredes!
-Conta pra mim dormindo.
-Aí não tem graça.
-Então só me deixa dormir.
-Oh, que desaforo, não quer minha linda história.
-Repetida.
-Sim, sim, isso é só um detalhe.
-Ok, pai, boa noite.
-Boa noite…
Pai e Filho – Era uma Vez
Dezembro 16, 2005Jingle bels
Dezembro 11, 2005Olhaí, 2005 já está no bico do corvo e o Natal vem chegando. De novo. Na verdade, não há motivo para espanto, já que o Natal é todo ano na mesma data, mas eu ainda considero essa festa um marco nesses 365 dias.
Só quando estamos a aproximadamente quinze dias da comemoração que eu noto como o ano passou rápido. Aliás, eu tenho uma teoria de que o reloginho do Tempo está descontrolado: cada ano o ano passa mais rápido que o outro ano.
Dois mil e cinco foi, com certeza, o ano que voou com maior velocidade em todo a minha curta existência. Uma pena, por sinal. Esse período passou tão rápido e eu não fiz nada de útil. Bem, pelo menos uma coisa é certa: 2005 foi bem melhor do que 2004.
Nhó, o ano ainda não acabou então melhor eu não contar vantagem, parar por aqui e deixar o resto desse assunto para o post de ano novo.
Vamos comemorar o Natal, então. Faltam só quinze dias, a cidade já está todinha enfeitada, com luzes e papais-noéis por todas as partes. Agora é hora de decidir os presentes, ver o que queremos e o que não queremos ganhar.
Uma das partes legais desta época é ver o comportamento pré-natalino que passa a vigorar em quase todo lugar. As mais óbvias mudanças são no comércio: todo mundo esperando aumentar as vendas, salvar o ano do vermelho. Então começam as promoções com papais-noéis falsificados fazendo propagandas de ofertas mais do que picaretas e, logo em seguida, temos as mega promoções de Natal das grandes lojas.
No mês de dezembro os pedintes também mudam de tática: no lugar de chapéus e “dinheiro para o ônibus”, temos caixinhas com pedidos de “me dá um feliz Natal?”. Eu tenho a impressão de que pedintes faturam bem mais nessa época. É o tal do Espírito Natalino.
Quando chega o fim do ano outra proeza acontece: a televisão consegue piorar de nível. Sim, eu estou falando dos malditos especiais de Natal. É sempre do mesmo jeito, o personagem principal entra numa enrascada e, depois de muita enrolação, é salvo por uma boa alma tomada pelo espírito Natalino. No fim há uma festinha com todos os personagens bonzinhos da série/filme comemorando o Natal salvo pela bondade. ¬¬
Isso sem falar nos musicais da Globo. Todo tipo de cantorzinho brasileiro aparece por lá. Claro que um ou outro ainda é legal, mas a maior parte é uma grande porcaria. Mais triste é ver que isso faz sucesso com o povão. Santa decadência.
O pobre do Menino Jesus que deve se contorcer no céu uma hora dessas. O que era para ser aniversário Dele acabou se tornando uma mega troca de presentes que tem seu ápice religioso nos presépios montados por aí. Aliás, o povo anda bem criativo para criar os presépios, ultimamente tenho visto cada coisa que chega a dar medo! Daqui a pouco o bebê-Jesus vai ser substituído pelo Papai-Noel e os três magos por três duendezinhos verdes.
Reparem vocês também como a festança já vem contagiando as pessoas desde cedo. E me ajudem a listar as coisas mais babacas e bizarras que o povo costuma fazer no Natal ![]()
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Só um PS para terminar o post: eu finalmente consegui convencer meus pais a me presentearem com um MP3 Player. Será que dá para vocês me ajudarem a escolher um? Eu sou completamente songo com essas coisas. Preciso de uma maquininha não muito cara nem muito ruim. Sugestões?
Bocha
Dezembro 8, 2005Dia desses eu cheguei um pouquinho antes numa reunião da comissão de formatura (leia-se cerca de uma hora) e, por estar sozinho, resolvi sair para dar uma volta. Numa cidade não tão grande como a de Botucatu não há muito o que se fazer sozinho pela rua, então acabei parando na AAB, um clube que há muito e deixei de freqüentar.
Antigamente a AAB era muito movimentada, era o “point” de encontro dos jovens durante as tardes ou outros períodos de vadiagem. Naquela hora eu estava praticamente sozinho por lá. Digo praticamente pois havia uma competição acontecendo, e não era um joguinho de pirras, era coisa de gente grande. Muito grande diga-se de passagem.
No ambiente térreo do prédio de academia havia uma porrada de velhos jogando bocha, bem animadinhos por sinal. Como eu sou um puta de um entrometido, fui xeretar no meio da competição. A impressão que tive é que eles vão lá jogar sempre, pois estava tudo num clima bem amigável, sem muita torcida, típico de competições extra oficiais.
Eu gosto de ver esses velhos que não ficam esperando os vermes numa cadeira em casa, eles pareciam mais enégicos que eu, bem legal eles não terem deixado que o tempo os empoeirasse, como tantos fazem.
Anyway, a competição de bocha era bem disputada. Ao contrário do que eu pensava, esse até que é um joguinho divertido. Confesso que eu via como o esporte de velhos: já que não podem correr com uma bola como em outras atividades, eles ficam parados jogando elas pra frente. Isso não é verdade, ou talvez até seja, mas não é um jogo chato. Tem uns caras que faziam jogadas geniais, um senhor arremessava as bolas sem tocar no chão, em cheio nas pelotas do adversário, bem bacana de se ver.
Pelo que deu para entender, o objetivo é fazer o maior número de bolas parar do lado de uma bolinha menor e cada participante tenta acertar as bolas do outro para afastá-las de pequena. Não exige muito do físico nem abusa da mente: esporte que seria ideal para mim, se eu tivesse mira e mais controle da minha força.
Eu só não consegui compreender a lógica de contagem dos pontos. O número de pontos dados não é igual ao de bolas que param do lado da pequena e eu não tenho idéia daonde surgia aquele placar. Mas tudo bem, pra um dia já foi o bastante, o placar eu entendo na próxima visita à AAB.
Bocha entrou para a minha lista de futuros esportes a se praticar. Está logo depois de Lacrosse.
Educação Física
Dezembro 3, 2005Educação física é aula inútil. Sempre foi. Desde que eu era pitoco educação física é aula inútil. Pelo menos isso era o que eu pensava, até dia desses. Pois bem, eu não sou lá um sucesso nos esportes – na verdade, acabei de usar um eufemismo para não contar que eu sou um desastre – por isso eu sempre sobrava na hora da escolha dos times. Não que eu quisesse ser escolhido, na verdade.
Toda vez era a mesma coisa: eu era obrigado a jogar e ficava atrapalhando o time em campo, ou quadra, sei lá. O esquema era simples: a bola ia prum lado da quadra e eu pro outro. Ela pra lá e eu pra cá. Pior de tudo é que não era só eu: no começo havia um amigo que me acompanhava na fuga à bola. Era mais ou menos assim:
-Alá!
-Alá o quê?
-A bola!!!
-AAARRRGGGG, é sua, é sua!
-Não, é sua, pega, pega!!!
-Ih, passou
-É, deixa pra lá então…
Depois éramos quatro zanzando contra o gradiente de concentração durante o jogo, o que ficava ainda mais engraçado. Certo dia eu exerci o máximo de meu talento futebolístico e até marquei um gol. Foi assim: estava eu andando contra todo o resto do povo e conversando com meu colega quando vejo a bola, paradinha na minha frente, sem nenhum maluco atrás dela e o goleiro bem longe.
Foi um chute certeiro, já que estava cerca de meio metro de distância do gol. PUMBA!
-Goooooooooooooooooooolllllllllll, marquei um GOL, marquei um GO-OL!
-PUTA QUE O PARIUUU!!!
-É, viu só? Eu marquei um gol, cara!!
-ERA O NOSSO CAMPO, SEU BURRO!!!
-Ih, foi contra é?
-Foi ¬¬’
Claaaroo que eu fui zoado por um bom tempo e tudo mais, mas temos que concordar que, independentemente do lado, foi um gol. Aliás, eu acho a designação “Gol contra” um pouco pesada, aquele foi um gol “independente das instituições chamadas times”.
É, acontece que no segundo colegial minha classe ficou com apenas oito moleques (e 24 meninas, que sonho) e a educação física não podia rolar como uma coisa séria. Para dar um empurrãzinho, a matéria começou a ter nota. A partir daí passou a ficar legal. Sendo que dos oito quatro simplesmente não sabiam jogar, mas eram obrigados pela nota, a coisa passou a fluir de uma maneira muito mais agradável. E engraçada também. Eu até marquei outros gols.
Acontece que o segundão chegou ao fim e terceiro colegial não tem educação física (estudo, faculdade, etc.). No último dia de aula de EF só foi um aluno na aula: eu. Na verdade, foram várias meninas, mas elas fazem aula separada, então eu fiquei sozinho na dos meninos. O professor dispensou, é claro, não tem jogo de uma pessoa só. Pois foi assim a última aula de educação física da minha vida: entrei, falei com o professor e fui embora.
Sabe, eu ainda não acho que essa aula seja útil, mas dá uma agonia sentir que a escola está passando. Não que o que há pela frente vá ser ruim, mas que essa é uma excelente fase da vida, é. E já começou a acabar. Agora restam as tensões de vestibular, estudo, cursinho, mais estudo e um pouco mais de estudo. Depois é faculdade, a turma se separa e bye bye escola. Never nunca para as aulas inúteis aonde nós corríamos ou ficávamos batendo papo.
Eu estou com dó antecipado de mim mesmo: ano que vem vou ter que me matar de estudar para talvez entrar na faculdade. Isso faz eu ter saudades até da aula de educação física. Ô vida…
Olha eu de novo
Dezembro 1, 2005Pois é, mal se passaram três meses desde que eu abandonei meu último blog e aqui estou eu colocando mais um site na rede. Há um bom tempo eu venho tentando fazer um site legal, que passe imune pelo meu perfeccionismo e não posso afirmar que não consegui: já tive um blog bom, muitos e muitos séculos atrás. Quando me mudei para o blogspot, levei junto todos os posts interessantes do Blogger, numa tentativa desesperada de fazer funcionar um blog mais do que decadente. Não deu certo, claro.
Para esse novo empreendimento, venho de mãos abanando, não vou trazer toda aquela decadência comigo de novo. Agora eu vou me esforçar para manter algo decente por aqui, apesar de um pouco diferente do que eu vinha escrevendo. Cansei de falar sobre política e os problemas do mundo. Também cansei de ser sério e tentar informar alguém. Volto à minha alienação que me fez ter um blog bom outrora, eu vou escrever o que der na telha, sejam crônicas, histórias, críticas, tudo o que eu tiver vontade vai vir parar aqui.
Para falar a verdade, criar um site não é algo difícil: basta ter uma pessoa escrevendo e outra lendo. Tendo, então, pelo menos um leitor para meus posts, eu hei de continuar aqui. Ou então eu abandono mais um blog na Rua da Amargura e deixo o leitor chupando o dedo.
Só para fazer algumas considerações gerais: eu mantive o último layout usado, listei os favoritos diretamente na barra lateral e fiz uma bela descrição de mim mesmo para “O Autor”. Quanto aos meus convidados, eles voltarão também, só que na página principal.
Bem, só resta cruzar os dedos e esperar para ver se isso aqui vai se tornar mais um fiasco da internet ou um espaço aonde alguém possa se entreter com algo decente.
Publicado por Bagrong
Publicado por Bagrong
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